Inicio seta Gozar o caminho 07 Setembro 2010  
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Gozar o caminho

A nossa vida é uma jornada, e desejamos percorrê-la encontrando sempre motivos para nos encantarmos ao longo do caminho. Só o conseguiremos se essa for também uma jornada de desenvolvimento espiritual, que progressivamente nos transforme e nos faça olhar para o mundo com uma frescura sempre renovada.

O caminho é, a um tempo, pessoal e solidário. Ninguém senão nós próprios poderá assumir o nosso desenvolvimento espiritual, mas só é possível fazê-lo verdadeiramente quando contribuímos para o desenvolvimento dos que nos rodeiam. É essa a essência do amor, que se dá gratuitamente e com isso recebe a força para crescer. É um processo circular em que estabelecemos interdependências sem comprometer a nossa independência, em que nos tornamos fortes não para dominar, mas para seguirmos juntos sem receios e sem reservas. Quando assumimos a responsabilidade de nos criarmos a nós próprios, as diferenças nos percursos de vida tornam-se uma fonte de inspiração e de cor, nunca uma ameaça. Sentimo-nos como parte de algo muito maior, misterioso e fascinante, sem que a nossa individualidade se dissolva no todo.

Falamos com frequência no contraste entre crescer (grow up) e envelhecer (grow old). Envelhecemos quando perdemos o ânimo para caminhar, quando nos deixamos aprisionar por regras impostas e pela rotina, quando abdicamos de concretizar os nossos sonhos, enfim, quando desistimos de crescer. O crescimento é animado pela convicção de que permanentemente pintamos a tela da nossa vida, empenhados na concretização dos nossos sonhos, de que seguimos activamente rumo a algo maior do que temos ou podemos imaginar.

"... a palavra «Rio» faz-me sempre sentir bem... e automaticamente pensar na palavra «Vida», talvez seja assim que a sinta... não é uma questão de Bom e Mau, é sim o Ser, o Fluir, a Força, a Serenidade, o Flowing, o Passar, o Deixar Ir, o Tempo não passar por Fora e por Dentro não parar, a Viagem de quem lá vai... os Seres que por nós se Cruzam - os que às Bermas se agarram, os que das Bermas se Libertam, os que se Afundam, os que nos Acompanham... as Pedras que neste se Atravessam e que este Contorna e Ultrapassa... a Transparência... a Beleza do Movimento Continuo, com Espaços de Calmaria e outros de Redemoinho... a Transformação... a Natureza da Força e a Força da Natureza...

... engraçado, se pensar na palavra «Amor» em tudo coincide com isto que estive a pensar «em voz alta»..."
(texto de Simplesmente Sofia, Alegre viajante do Ser e apaixonada pelo Kung Fu To'A)

Mais sobre a evolução espiritual

Aceitação e transformação

Em certos períodos da vida a evolução faz-se como que por saltos quânticos, em que é necessário prescindir de padrões de pensamento e comportamento que nos são familiares e confortáveis, em favor de um novo olhar. Essas etapas são dolorosas, mas para os que as conseguem superar, evitando a estagnação, está reservada uma elevadora sensação de renascimento ao atingir maior maturidade.

Como uma cobra que se liberta da pele antiga quando esta cumpriu a sua função e deu lugar a uma nova, ao longo da vida temos de aprender a abandonar, por exemplo, a agilidade da juventude, o poder, a independência física e, por fim, a própria vida. Parece paradoxal que a aceitação da morte faça parte do caminho para saborear a vida em êxtase, mas essa é uma experiência relatada por muitos místicos. É a morte que dá brilho e sentido à vida.

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E o Kung-Fu?

O Kung-Fu faz parte integrante da nossa jornada. Tal como outras formas de arte, tem o potencial para nos elevar e abrir horizontes ao fomentar a expressão da criatividade. É introspectivo e refinado mas apela também a instintos muito básicos, e é a síntese entre estes aspectos que lhe dá tanta força.

O trabalho do Kung-Fu a nível físico, emocional, racional e espiritual não é uma metáfora da vida, é vida, vida plena. Com esta percepção a luta é sublimada e passa a ser um diálogo, mais que um confronto, uma procura de harmonia dentro e fora de nós. Gradualmente, a destreza marcial adquirida afasta-se cada vez mais de uma marca de guerra, violência e defesa, permitindo-nos olhar em volta, discernir melhor entre o bem e o mal, e descobrir caminhos subtis. No fundo, esta torna-se também um instrumento de preservação da nossa integridade que estimula a abertura ao exterior e o estabelecimento de uma teia de interdependências enriquecedora.

 
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