Inicio seta Símbolos 07 Setembro 2010  
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KungFu interior
Caminho da Sabedoria

O papel dos Símbolos

Sendo o Kung Fu o Way of Life - podemos dizer que os símbolos são um way of living the way of life.  Por um lado, produzem uma energia evidente e externa, e por outro, uma energia oculta e interna .

Os símbolos são ferramentas de utilidade no nosso combate interior para desbloquear os canais energéticos dos obstáculos (apego, ansiedade, medo, dúvida) verticalizar, elevar e purificar a energia interna e a mente. Devem ser considerados como um meio e não como um fim para o auto-conhecimento.

O combate interior não é um combate violento, nem defensivo, nem ofensivo. É despertar o poder de curar, transcender o tempo do combate em busca da compreensão da Verdade.

“Melhor do que o guerreiro que venceu mil guerreiros em combate é aquele que se venceu a si próprio”.

Will Parfitt escreveu, a propósito dos símbolos: "Os símbolos não podem ser entendidos fora do seu contexto. O facto de um símbolo revelar ou ocultar algo depende não do símbolo em si, mas da nossa atitude em relação a ele. Se nos detemos diante da sua aparência, da sua forma, ele encobre-se e oculta-se. Se compreendemos o seu sentido e conseguimos apreender o seu significado, ele transforma-se num meio de revelação."

Por outro lado, à medida que aumenta a nossa sensibilidade, tudo se vai tornando cada vez mais um símbolo. Na verdade sempre que atribuímos um significado a uma experiência, estamos a ler nela algo que não faz parte da sua exterioridade aparente. Tudo é, além do que é, também símbolo, ou portal de entrada, ou convite, para a realidade da consciência. Dar peso e valor à dimensão simbólica do Cosmos é, portanto, estar também atento ao beyond, para o qual o Universo, como realidade física, Aponta.

Punho

Símbolo do Kung-Fu To'a com punho Um dos vários símbolos do kung-fu To'a é o punho fechado que representa a força e a capacidade de criar o seu próprio sentido. O seu enquadramento no circulo dividido em três partes, simboliza a força necessária na união entre o físico e o espiritual, e a força para não nos conformarmos com as situações e rebentarmos "a casca da semente". Por estar sobre o globo o punho simboliza esta união no dia-a-dia, em todas as situações da nossa vida.

A parte preta do círculo representa o material, o corpo, e as duas partes vermelhas o espiritual, a mente. Este kung-fu é muito físico, sendo necessária bastante condição física para realizar as várias fases, mas mais importante ainda é a atitude com que se pratica o kung-fu: a maneira como ele se funde com as nossas vidas. Este facto é realçado pelas duas partes vermelhas do símbolo. Um texto em sintonia com esta atitude, de permanente auto-criação e do "quebrar a casca", é nos dado por Pico de Mirandola em Oratio de Hominis Dignitate: "Não te dei, Ó Adão, nem rosto, nem um lugar que te seja próprio, nem qualquer dom particular, para que teu rosto, teu lugar e teus dons os desejes, os conquistes, e sejas tu mesmo a possuí-los. Encerra a natureza outras espécies, em leis por mim estabelecidas. Mas tu, que não conheces qualquer limite, só mercê do teu arbítrio, em cujas mãos te coloquei, te defines a ti próprio. Coloquei-te no centro do mundo, para que melhor pudesses contemplar o que o mundo contém. Não te fiz nem celeste nem terrestre, nem mortal nem imortal, para que tu, livremente, tal como um bom pintor ou um hábil escultor, dês acabamento à forma que te é própria."

Material-espiritual

[Informação complementar acerca do emblema usado nos nossos fatos]

Emblema redondo dos fatos, branco com caracteres vermelhos Descrição dos caracteres persas no emblema vermelho/branco

As palavras "material", "espiritual", "Kung-Fu" e "To'a" rodeiam dois conjuntos de caracteres persas/arábicos estilizados, dispostos em dois círculos concêntricos, que se lêm no sentido dos ponteiros do relógio (horário). O círculo exterior começa junto ao ponto sólido à direita da palavra "To'a", e contém a palavra "jahan" (mundo). O círculo interior inicia-se junto ao hiato maior, e contém a sequência de palavras "tan" (corpo), "va" (e), "ravân" (mente).

Simorgh

O Simorgh é um pássaro lendário descrito em muitos contos da tradição persa. José Manuel Anes sintetiza da seguinte forma o significado do Simorgh: "É sabido que a simbólica do pássaro remonta no Ocidente aos platónicos, que o consideram um símbolo da alma. Mas não pode deixar de referir-se que o pássaro tem um valor simbólico em outras tradições que não a europeia, como por exemplo a persa, na qual se destaca a obra do Sufi iraniano Attar, A Conferência dos Pássaros. [...] A Conferência dos Pássaros relata a viagem iniciática de diversas aves por sete vales, representando outros tantos estados de consciência e de conhecimento místico até atingir o enigma supremo, o encontro com a ave-rei, o Simorgh, que possui uma linguagem humana e mora numa montanha sagrada. Este pássaro superior representa o mestre místico e a manifestação da divindade, mas também, e sobretudo, o Eu interior, pelo que a viagem não conduz os "pássaros" para o "céu" exterior, mas para o céu "interior". De facto, a grande revelação consiste na descoberta e que o Simorgh que eles encontram é cada um deles e que eles são o Simorgh." * (encontra um esquema sobre A Conferência dos Pássaros aqui) Por outro lado, a presença da espada pode salientar o paralelismo com a lenda de raiz egípcia da Fénix: a Espada representa o espírito nobre do guerreiro. A concentração e precisão no caminho para o Caminho. O meio de “aniquilamento” - morrer como quem nasce! Pois, de facto, é preciso morrer para as imagens para ser liberdade, morrer para os limites para ser plenamente amor...

Símbolo do Kung-Fu To'a com fénix azul

Por outras palavras, podemos entender o Simorgh como um símbolo do caminho da expansão da consciência, onde já não nos identificamos tanto com o que nos aparece no percurso, mas usamo-lo como trampolim para algo maior. Afinal, como é que podemos ir para Além se nos aprisionarmos às experiências? Vivê-las Bem é deixá-las seguir a sua evolução...

"Viver não é um hábito; viver é uma indagação contínua, exploração.
Viver é viajar à descoberta e, a não ser que tenhas descoberto a essência última do teu ser, não pares.
Há muitos lugares de paragem – muito belos, muito fascinantes, atraentes, mágicos.
Lembra-te disto, a não ser que tenhas chegado à realização de quem és, a viagem continua.
Sim, podes descansar um pouco em cada refúgio, mas continua em movimento, continua a fluir.

Permanece aberto a todos os tipos de experiência."

Osho Rajneesh - From death to deathlessness

 

Homem-pássaro

Símbolo do homem pássaroO cognome do Homem Pássaro poderia ser "Liberdade". A Liberdade interior, profunda, verdadeira, pressupõe o fim do jugo de uma vontade inconsciente. Ou seja, não pode ser o medo nem a ilusão a canalizarem, a conduzirem, as múltiplas energias e intuições que guiam o nosso corpo, em direcção a um destino que é apenas o da destruição das máscaras. O Homem Pássaro pressupõe a destruição das máscaras, para que a vontade vogue e vibre livremente, para que não haja, em sentido impróprio, vontade, e haja apenas a Vontade, que, como no acto do Artista que cria a sua Obra-Prima, não é de facto a Vontade daquele Corpo, mas a Vontade transbordante de todo o Cosmos adequada àquele momento.
O Homem Pássaro, num certo sentido, é o homem que deixou de existir, só nEle existe o Voo, o Viajar, a plena acção, o pleno acto. A vibração da sua Liberdade não é condicionada pelos seus medos, não é puxada pelos seus anseios, não é deformada pelas suas expectativas. Desiludido com tudo, o Homem Pássaro não tem já o que quer que seja a perder. Perdeu tudo, ou melhor, percebeu que tinha perdido tudo desde o início, melhor ainda, que nada tinha perdido, pois nada na verdade tinha possuído. O Homem Pássaro não tem posses, e por isso nada o possui. Está no mundo mas não pertence ao Mundo, viaja nele como nada que pertença ao Cosmos, como nada que o toque... (Uma exposição mais alargada encontra-se aqui.)

Flor de lótus

Símbolo do Kung-Fu To'a Flor de Lótus Desde a antiguidade que, no oriente, o crescimento da flor de lótus fornece uma metáfora para o desenvolvimento do ser humano. O nascimento corresponde à deposição da semente na lama, uma planta completa em potência mas que ainda não se manifestou, permanecendo oculta pelo lodo e pela água turva. O mundo é equiparado ao lodo, um meio confuso e sujo, mas fértil, que fornece ao lótus os nutrientes de que este necessita para crescer. Então a semente, sentindo que há luz e sol, rebenta a casca, e a jovem planta em crescimento inicia a subida até à superfície. As etapas que o lótus percorre até atingir a superfície e a flor brotar - quebrar a casca, emergir do lodo, ultrapassar a vegetação rasteira, atravessar camadas de água sucessivamente mais luminosas e transparentes - são comparadas ao desenvolvimento espiritual por níveis do ser humano. Tradicionalmente, tal como no Kung-Fu To'a, esse desenvolvimento é dividido em sete fases progressivamente mais avançadas, em que a superação do ego aponta sempre o caminho para algo maior, a realização do Ser.

Mesmo quando floresce, o lótus permanece firmemente enraizado no lodo, o qual continua a ser o substrato que alimenta e de onde tudo brota. Ainda que, com a sua cor branca sem mácula, a flor à superfície pareça ser de uma natureza inteiramente distinta do que a rodeia, ela é na realidade uma irradiação do lodo que não existe por si só. Da mesma forma, o desenvolvimento espiritual do indivíduo não é algo que possa ocorrer no vácuo, é um processo que tem de ser alimentado pelas relações humanas. Em "Siddhartha", de Hermann Hesse, a iluminação do protagonista é descrita de uma forma profundamente comovente: "Já não conseguia distinguir as diferentes vozes - a voz alegre da chorosa, a infantil da adulta. Pertenciam todas umas às outras: o lamento dos que anseiam, o riso dos sensatos, o grito de indignação e o gemido dos moribundos. Estavam todas entrelaçadas e entrosadas, entretecidas de mil maneiras. (...) Todas juntas eram o fluir dos acontecimentos, a música da vida ".

Para além da flor de lótus e do sol, que representam o desejo de crescimento interior, no fundo do símbolo aparece, a vermelho e violeta, o símbolo do Yin-Yang. Este antigo símbolo representa uma concepção bipolar segundo a qual tudo no universo resulta de uma dinâmica entre dois princípios opostos, mas complementares: masculino/feminino, leve/pesado, quente/frio... Apesar de complementares, cada um deles contém em si a semente do outro, ou seja, um não existe sem o outro. No oriente, esta noção de equilíbrio dinâmico foi incorporada em múltiplos domínios do saber, da filosofia à medicina, ciências naturais e artes. No contexto do Kung-Fu ela fornece, por exemplo, terreno fértil para o desenvolvimento de abordagens técnicas que tentam preservar a harmonia em combate, aceitando mas sublimando os instintos básicos de dominação e agressividade que de outro modo se tornariam destrutivos para todos.


"O Homem Pássaro, o Punho, o Simorgh, a Flor-de Lótus... ... .... .... são essências que estão compreendidas no buraco negro de um Símbolo, orbitamos em torno dele até penetrarmos o seu vórtice de acesso às suas indefiníveis origem, transformação e síntese (em nós).

O exercício simbólico não é uma fantasia! mas uma intuição e uma alquimia. O Símbolo estende-nos uma rota de Luz que poderemos seguir sem sabermos para onde ele nos conduz, só sabemos que é para uma realidade Sagrada, que é o próprio indivíduo em verso unido com a sua Divindade. Quando aqui (nesta Esfera-Consciência) já não há símbolo, mas Sintonia, Visão."
(Luíza Martins, praticante de Kung Fu To'A, musa transbordante de Ser)

 
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