[Introdução aos símbolos do nosso Kung-Fu.]
Um dos vários símbolos do kung-fu To'a é o punho fechado que representa a
força. O seu enquadramento no circulo dividido em três partes, simboliza a
força necessária na união entre o físico e o espiritual, e a força para não
nos conformarmos com as situações e rebentarmos "a casca da semente". Por
estar sobre o globo o punho simboliza esta união no dia a dia, em todas as
situações da nossa vida.
A parte preta do circulo representa o material, o corpo, e as duas partes vermelhas o espiritual, a mente. Este kung-fu é muito físico, sendo necessária bastante condição física para realizar as várias fases, mas mais ainda é a atitude com que se pratica o kung-fu: a maneira como ele se funde com as nossas vidas. Este facto é realçado pelas duas partes vermelhas do símbolo.
A espiritualidade, o que vai para além do corpo, leva-nos à transcendência (a imagem "de marca" deste kung-fu), ao superarmo-nos constantemente.
[Informação complementar acerca do emblema usado nos nossos fatos]
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As palavras "material", "espiritual", "Kung-Fu" e "To'a" rodeiam dois conjuntos de caracteres persas/arábicos estilizados, dispostos em dois círculos concêntricos, que se lêm no sentido dos ponteiros do relógio (horário). O círculo exterior começa junto ao ponto sólido à direita da palavra "To'a", e contém a palavra "jahan" (mundo). O círculo interior inicia-se junto ao hiato maior, e contém a sequência de palavras "tan" (corpo), "va" (e), "ravân" (mente).
Desde a antiguidade que, no oriente, o crescimento da flor de lótus fornece uma metáfora
para o desenvolvimento do ser humano. O nascimento corresponde à deposição
da semente na lama, uma planta completa em potência mas que ainda não se
manifestou, permanecendo oculta pelo lodo e pela água turva. O mundo é
equiparado ao lodo, um meio confuso e sujo, mas fértil, que fornece ao
lótus os nutrientes de que este necessita para crescer. Então a semente,
sentindo que há luz e sol, rebenta a casca, e a jovem planta em crescimento
inicia a subida até à superfície. As etapas que o lótus percorre até
atingir a superfície e a flor brotar - quebrar a casca, emergir do lodo,
ultrapassar a vegetação rasteira, atravessar camadas de água sucessivamente
mais luminosas e transparentes - são comparadas ao desenvolvimento
espiritual por níveis do ser humano. Tradicionalmente, tal como no Kung-Fu
To'a, esse desenvolvimento é dividido em sete fases progressivamente mais
avançadas, em que a superação do ego aponta sempre o caminho para algo
maior, a realização do Ser.
Mesmo quando floresce, o lótus permanece firmemente enraizado no lodo, o qual continua a ser o substrato que alimenta e de onde tudo brota. Ainda que, com a sua cor branca sem mácula, a flor à superfície pareça ser de uma natureza inteiramente distinta do que a rodeia, ela é na realidade uma irradiação do lodo que não existe por si só. Da mesma forma, o desenvolvimento espiritual do indivíduo não é algo que possa ocorrer no vácuo, é um processo que tem de ser alimentado pelas relações humanas. Em "Siddhartha", de Hermann Hesse, a iluminação do protagonista é descrita de uma forma profundamente comovente: "Já não conseguia distinguir as diferentes vozes - a voz alegre da chorosa, a infantil da adulta. Pertenciam todas umas às outras: o lamento dos que anseiam, o riso dos sensatos, o grito de indignação e o gemido dos moribundos. Estavam todas entrelaçadas e entrosadas, entretecidas de mil maneiras. (...) Todas juntas eram o fluir dos acontecimentos, a música da vida ".
Para além da flor de lótus e do sol, que representam o desejo de crescimento interior, no fundo do símbolo aparece, a vermelho e violeta, o símbolo do Yin-Yang. Este antigo símbolo representa uma concepção bipolar segundo a qual tudo no universo resulta de uma dinâmica entre dois princípios opostos, mas complementares: masculino/feminino, leve/pesado, quente/frio... Apesar de complementares, cada um deles contém em si a semente do outro, ou seja, um não existe sem o outro. No oriente, esta noção de equilíbrio dinâmico foi incorporada em múltiplos domínios do saber, da filosofia à medicina, ciências naturais e artes. No contexto do Kung-Fu ela fornece, por exemplo, terreno fértil para o desenvolvimento de abordagens técnicas que tentam preservar a harmonia em combate, aceitando mas sublimando os instintos básicos de dominação e agressividade que de outro modo se tornariam destrutivos para todos.